quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Captação vs Treino


Algo sobre o qual tenho reflectido bastante nos últimos tempos é sobre o talento. Já tentei desvendar a origem do talento mas este é um tema em que tudo acaba por cair em suposições e crenças, sem que ninguém tenha a certeza de nada. O que é certo é que existem claramente jovens com uma maior predisposição à aprendizagem de determinadas acções que outros, tal como é o caso dos guarda-redes.

Quem é treinador de guarda-redes, concerteza que já assistiu a miúdos que, sem nunca terem jogado a nível federado como guarda-redes, defendem melhor que alguns que já levam um ou mais anos de treino. Eu já vi jogadores de campo a irem à baliza (estamos a falar de camadas jovens) e a dar um autêntico espectáculo. Isto leva-me ao título deste post: será que devemos dar apenas importância ao treino de guarda-redes (com aqueles que temos) ou fazer um maior esforço na captação de jovens para a baliza?

Ao falar de captação de guarda-redes, também pretendo incluir a pesquisa interna, ou seja, jogadores de campo que podem ter uma vocação desconhecida para a posição de guarda-redes. Quando um jogador diz, ao ver que falta um guarda-redes: "Mister, hoje posso ir à baliza?", ponderem seriamente esse pedido pois pode estar ali o futuro guarda-redes titular da equipa. É óbvio que o treino de guarda-redes em si tem extrema importância, até porque por muito talento que um jovem tenha nesta posição, as acções técnico-tácticas dos guardiões são demasiado complexas para serem adquiridas de forma natural com a simples prática do jogo. É preciso corrigir, instruir e melhorar... mas o potencial de evolução de um guarda-redes vai depender muito da sua predisposição para a posição (forma elaborada de dizer talento).

A diferença entre ter um miúdo sem ou com talento é a diferença entre um guarda-redes e um excelente guarda-redes no futuro. Portanto é importantíssimo investir na captação, tanto a nível externo como interno, pois nunca se sabe onde se vai encontrar um jovem promissor.

Foto retirada do site: http://cdsantaclara.wordpress.com/2010/11/11/jovem-guarda-redes-de-15-anos-chamado-ao-plantel-senior/

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Jogo Aéreo

A cultura enraizada no treino de guarda-redes em Portugal, mantém-se muito ligada ao posicionamento dentro da baliza. Embora este ponto se tenha vindo a alterar nos últimos tempos, ainda é bem vísivel, principalmente dos escalões de formação. A experiência que tenho vivido nesta pré-época, que está a acabar, evidencia o que referi anteriormente.
O jogo aéreo é um dos pontos fundamentais nas acções dos guarda-redes. No entanto, noto que por vezes as deficiências provêm de outras características.
Existe grande dificuldade em assumir as responsabilidades neste tipo de lances. O medo de errar, deixar as responsabilidades para os colegas da defesa e ficar na linha de golo. O erro leva à perfeição, no entanto mesmo com todo o apoio do treinador de guarda-redes, um simples comentário do treinador principal pode deitar todo o trabalho por terra e a necessidade de começar tudo de novo.
A falta de comunicação. Muitos guarda-redes não falam por se sentirem envergonhados, pelo receio de serem gozados pelos colegas (e digo isto por já ter assistido a tal).
O receio dos embates com adversários e/ou colegas de equipa. Nas idades de formação o factor psicológico é determinante. Muitos miúdos demoram a perceber que a simples acção de elevar um joelho no salto, os protege dos contactos. "Se tens medo de magoar um colega de equipa, terás sempre medo de magoar um adversário que não conheces de lado algum". Cada um tem as suas acções no jogo e um avançado não está preocupado se magoa um guarda-redes para marcar golo.
A percepção da trajectória da bola. Embora varie de pessoa para pessoa, este aspecto é treinável . As repetições nestes tipos de lances fazem os guarda-redes ganhar experiência e diminuir as possibilidades de errar.
O posicionamento.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Treino de atributos técnico-tácticos


Antes de mais é importante definir inexperiência neste contexto. Quando falar em inexperiência, refiro-me ao reduzido número de jogos realizados num determinado contexto competitivo. E falo em contexto competitivo porque acredito que jogar em Portugal não será a mesma coisa que jogar no Brasil ou em Inglaterra, no entanto, como é óbvio, haverá um grande transfer de experiência de um contexto para o outro. A maior diferença no que diz respeito aos contextos competitivos, que vai ter uma maior implicação no assunto de falta de experiência, prende-se mesmo com a passagem do futebol de formação para o futebol sénior.

Posto isto, vou falar dos atributos cujos ganhos são mais visíveis com o acumular de jogos que propriamente com o treino (embora este seja de extrema importância), falo dos atributos técnico-tácticos. É importante que não se confundam com as missões tácticas dos guarda-redes que têm a ver com o modelo de jogo da equipa. Os atributos técnico-tácticos são todos os tipos de saídas da baliza (cruzamentos e antecipações para evitar situações de 1 x 1 por exemplo).

Ao longo de toda a carreira, todos os guarda-redes cometem erros relativos a estes atributos, no entanto estes erros são denominador comum nos guarda-redes jovens. Por muito talentoso que um guarda-redes seja durante a formação, é muito difícil impor-se ao chegar ao escalão máximo do futebol pois faltam-lhe os milhares de minutos de experiência que o seu concorrente directo tem. Mas o que fazer nestas situações? O guarda-redes precisa claramente de jogar com regularidade para atingir o seu máximo potencial mas também não pode comprometer a equipa com as suas falhas que irão inevitavelmente acontecer por falta de experiência. É este o dilema que muitos clubes enfrentam, sendo a solução rodar os guarda-redes em equipas de escalões inferiores cujos actuais guarda-redes não têm uma qualidade técnica suficiente para superar os jovens guardiões. Quanto ao treino em si, haverá um maior aproveitamento do guarda-redes nas situações de exercícios integrados com o resto do plantel para aumentar a especificidade do jogo embora se devam também usar os exercícios analíticos para corrigir pormenores relacionados com a técnica individual.

sábado, 31 de julho de 2010

Roberto (Sport Lisboa e Benfica) parte II






Comparando com o vídeo anterior, nota-se um pequeno avanço no terreno, no entanto dá-me a impressão que ele tenta fixar-se em posição de espera ainda balançado com a corrida que fez desde a pequena área. (é apenas uma suposição, pois não vi o jogo e as imagens não o mostram convenientemente).

domingo, 25 de julho de 2010

Roberto (Sport Lisboa e Benfica)






Já se percebeu que o novo guarda-redes do Sport Lisboa e Benfica é um típico guarda-redes tipo R. No entanto, após as várias semanas de pré temporada, não vejo nenhuma evolução para tentar contrariar este facto.

Não percebo a vantagem de ter a equipa a jogar no meio campo e o guarda-redes manter-se na sua pequena área.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Exercício Velocidade de Reacção IV



Neste exercício, o guarda-redes reage à voz do treinador, que lhe indica qual a bola que está em jogo. Ao receber a ordem, o guarda-redes pode bloquear a bola, bloquear a bola em 1x1 com o avançado, entre outras variantes. Pode-se atribuir números ou letras a cada bola.

Da forma que utilizo este exercício, o guarda-redes faz no máximo 5 repetições.

Para além de trabalhar a velocidade de reacção, considero-o um bom exercício para trabalhar o posicionamento e a retomada à posição de espera, que pode ser média ou baixa consoante a variante.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Exercício de Velocidade de Reacção III


O guarda-redes coloca-se a 2 metros do treinador. Este deixa cair uma das bolas e o guarda-redes tem de a agarrar antes que caia no chão.

Este exercício, para além de trabalhar a velocidade de reacção, trabalha também a aceleração e a coordenação dos membros inferiores e superiores. É simples, de fácil execução e compreensão por parte do guarda-redes e não são precisos muitos recursos para o realizar.

Nota: Dado as componentes físicas que este exercício abrange, é aconselhável que se faça no início da sessão de treino não havendo ainda acumulação de fadiga.