quarta-feira, 9 de março de 2011

I Seminário Internacional "Treino da Técnica de Guarda-Redes"


No dia 26 de Março (Sábado), em Pombal, irá realizar-se um seminário dedicado ao treino de guarda-redes, organizado pela Escola Número Um.

As inscrições podem ser feitas até dia 20 de Março, com um limite de 120 participantes.

É de aproveitar esta iniciativa, para quem se interessa pelo treino de guarda-redes porque não é todos os dias que há oportunidades de participar num seminário sobre guarda-redes com teor teórico e prático.

terça-feira, 8 de março de 2011

Exercício situações de jogo


Com este exercício pretendo criar uma situação de jogo. Os principais objectivos são o jogo aéreo e a reposição de bola. Após cruzamento, (1) o guarda-redes deve segurar a bola, evitando o cabeceamento dos avançados (2), tendo que fazer a reposição de bola com a mão para o corredor contrário, afim de marcar golo na baliza defendida por um colega (3).

VARIANTE:
Sendo que o primeiro exercício visa essencialmente o automatismo neste tipo de lances, ou seja, segurar a bola após cruzamento e colocá-la jogável no corredor contrário, a variante apresenta uma situação nova. Após a reposição de bola no corredor, poderá acontecer que o extremo desarme o lateral (ou quem estiver na zona a receber) e a coloque rapidamente no avançado. O exercício tem agora mais um objectivo, a situação 1x0+GR.
O guarda-redes repõe a bola no corredor, onde o treinador (ou guarda-redes) recepciona e faz um passe em profundidade (4), para criar uma situação de 1x0+GR (5).
Neste exercício opto por não colocar ninguém na linha defensiva, para recriar a subida desta após a reposição de bola (3).
Nota: Aquando da reposição de bola os elemento que fazem oposição no cruzamento saem da área.
Nota 2: O desenho não se encontra à escala correcta.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Leitura do Jogo





Embora já tenha conseguido colocar a jogar os guarda-redes fora da área, noto que as suas leituras do jogo ainda não são as mais correctas. Após ter reflectido sobre o assunto, encontro alguns factos que podem ter ou estão a influenciar negativamente este aspecto.


O primeiro, muito derivado à necessidade dos resultados desportivos rápidos, incorri no erro de lhes dar estímulos auditivos nos momentos chave em que deviam atacar a bola etc. Com o tempo fui retirando o estímulo e a capacidade de saber o quando ter que actuar demorou a ser assimilada.


Os microciclos são organizados sempre com recriações de situações de jogo devidamente condicionadas. Neste aspecto eles mostram-se competentes nas suas acções. O maior problema prende-se com os jogos com a restante equipa. Como o clube tem muitas equipas e apenas 1 campo para treinar, a maioria das equipas treinam apenas em meio campo. Em meio campo o jogo torna-se mais compacto, temos por vezes a linha defensiva a jogar em cima da pequena área, não existem bolas nas costas da defesa, nem existem situações de 1x0+GR, etc. Este será o principal retardador da capacidade de ler o jogo por parte dos meus guarda-redes?

Aguardo opiniões e/ou propostas
Abraço e bons treinos

sábado, 5 de fevereiro de 2011

René Higuita


Ninguém no mundo pode ficar indiferente à carreira e figura de Higuita e este foi mesmo um símbolo, ao longo dos anos, dos guarda-redes, dotado de uma personalidade muito particular que transparecia na sua forma de jogar. Arrisco-me mesmo a dizer que este 'tipo' de guarda-redes extinguiu-se em 2009, quando Higuita terminou a sua carreira de jogador. No futebol actual, há cada vez menos espaço para excentricidades e pretende-se que tudo seja muito seguro e previsível no que aos guarda-redes diz respeito.

Não nos podemos esquecer que a excentricidade de um guarda-redes tem limites e Higuita quebrou esses limites (por várias vezes) na sua carreira, sendo o exemplo mais conhecido o Mundial de 1990 em Itália mas também não é menos verdade que Higuita teve uma carreira recheada de conquistas, entre as quais uma Copa dos Libertadores e uma Copa Interamericana (não falando das 68 internacionalizações e respectivos 3 golos pela Colômbia).

O que caracterizou Higuita foram a sua habilidade para concretizar penaltis e livres directos, a famosa 'defesa de escorpião' e a sua tendência para sair da baliza para interceptar a bola e sair a jogar com ela nos pés. Relativamente aos esquemas tácticos, eu não me oponho à marcação dos mesmos pelos guarda-redes, desde que sejam especialistas e que a equipa tome as devidas precauções para a hipótese de o guarda-redes falhar. Quanto à 'defesa de escorpião', de facto foi um momento marcante na história do futebol e uma delícia aos olhares dos amantes da modalidade mas também não é menos verdade que era uma defesa completamente inútil, demasiado arriscada e muito pouco eficaz. Por fim, no que diz respeito às saídas de Higuita da baliza, acho que há muito a falar. De facto era fantástica a capacidade de Higuita sair da baliza e excentricidades à parte, foram inúmeros os lances de contra-ataque neutralizados por ele pelo que em termos tácticos, esta sua capacidade de ler o jogo poderá ter sido muito bem aproveitada pelos seus treinadores... o problema é que as intercepções não ficavam por aí. Ou será que isso era um problema?

Uma acção de penetração do guarda-redes logo após a recuperação da bola, quando os adversários estão em contra-pé, pode criar grandes desequilíbrios à equipa adversária que tem os seus jogadores desposicionados e como tal, concede mais espaços no campo para serem explorados (veja-se o exemplo das penetrações de David Luiz, do Benfica, na época passada, que tantos problemas dava aos adversários, principalmente àqueles que utilizavam marcações individuais). Mas para que isto fosse possível, seria necessário que o guarda-redes fosse rápido, tivesse uma excelente capacidade de drible e condução de bola e uma boa visão de jogo. Mas se os jogadores de campo que dominem estas capacidades não abundam... dificilmente aparecerá um guarda-redes que as possua, principalmente quando o seu treino, que é especializado cada vez mais cedo, seja tão condicionante àquilo que o futebol moderno exige dos guarda-redes que é acima de tudo segurança, nunca o risco.

Até que ponto este tipo de acções deve ser promovida nos guarda-redes que possuem capacidades para tal?

E já agora, com todas as polémicas de parte que caracterizaram a carreira (e a vida) deste ícon do futebol mundial, vão os meus mais sinceros parabéns à carreira de Higuita que terminou apenas no início deste ano, após 24 anos como profissional (aos 44 de idade). Alguém que tanto contribuiu à promoção do futebol, não pode ser esquecido na história.



Foto: http://www.guardian.co.uk/football/blog/2009/sep/03/feet-of-the-chameleon

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Captação vs Treino


Algo sobre o qual tenho reflectido bastante nos últimos tempos é sobre o talento. Já tentei desvendar a origem do talento mas este é um tema em que tudo acaba por cair em suposições e crenças, sem que ninguém tenha a certeza de nada. O que é certo é que existem claramente jovens com uma maior predisposição à aprendizagem de determinadas acções que outros, tal como é o caso dos guarda-redes.

Quem é treinador de guarda-redes, concerteza que já assistiu a miúdos que, sem nunca terem jogado a nível federado como guarda-redes, defendem melhor que alguns que já levam um ou mais anos de treino. Eu já vi jogadores de campo a irem à baliza (estamos a falar de camadas jovens) e a dar um autêntico espectáculo. Isto leva-me ao título deste post: será que devemos dar apenas importância ao treino de guarda-redes (com aqueles que temos) ou fazer um maior esforço na captação de jovens para a baliza?

Ao falar de captação de guarda-redes, também pretendo incluir a pesquisa interna, ou seja, jogadores de campo que podem ter uma vocação desconhecida para a posição de guarda-redes. Quando um jogador diz, ao ver que falta um guarda-redes: "Mister, hoje posso ir à baliza?", ponderem seriamente esse pedido pois pode estar ali o futuro guarda-redes titular da equipa. É óbvio que o treino de guarda-redes em si tem extrema importância, até porque por muito talento que um jovem tenha nesta posição, as acções técnico-tácticas dos guardiões são demasiado complexas para serem adquiridas de forma natural com a simples prática do jogo. É preciso corrigir, instruir e melhorar... mas o potencial de evolução de um guarda-redes vai depender muito da sua predisposição para a posição (forma elaborada de dizer talento).

A diferença entre ter um miúdo sem ou com talento é a diferença entre um guarda-redes e um excelente guarda-redes no futuro. Portanto é importantíssimo investir na captação, tanto a nível externo como interno, pois nunca se sabe onde se vai encontrar um jovem promissor.

Foto retirada do site: http://cdsantaclara.wordpress.com/2010/11/11/jovem-guarda-redes-de-15-anos-chamado-ao-plantel-senior/

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Jogo Aéreo

A cultura enraizada no treino de guarda-redes em Portugal, mantém-se muito ligada ao posicionamento dentro da baliza. Embora este ponto se tenha vindo a alterar nos últimos tempos, ainda é bem vísivel, principalmente dos escalões de formação. A experiência que tenho vivido nesta pré-época, que está a acabar, evidencia o que referi anteriormente.
O jogo aéreo é um dos pontos fundamentais nas acções dos guarda-redes. No entanto, noto que por vezes as deficiências provêm de outras características.
Existe grande dificuldade em assumir as responsabilidades neste tipo de lances. O medo de errar, deixar as responsabilidades para os colegas da defesa e ficar na linha de golo. O erro leva à perfeição, no entanto mesmo com todo o apoio do treinador de guarda-redes, um simples comentário do treinador principal pode deitar todo o trabalho por terra e a necessidade de começar tudo de novo.
A falta de comunicação. Muitos guarda-redes não falam por se sentirem envergonhados, pelo receio de serem gozados pelos colegas (e digo isto por já ter assistido a tal).
O receio dos embates com adversários e/ou colegas de equipa. Nas idades de formação o factor psicológico é determinante. Muitos miúdos demoram a perceber que a simples acção de elevar um joelho no salto, os protege dos contactos. "Se tens medo de magoar um colega de equipa, terás sempre medo de magoar um adversário que não conheces de lado algum". Cada um tem as suas acções no jogo e um avançado não está preocupado se magoa um guarda-redes para marcar golo.
A percepção da trajectória da bola. Embora varie de pessoa para pessoa, este aspecto é treinável . As repetições nestes tipos de lances fazem os guarda-redes ganhar experiência e diminuir as possibilidades de errar.
O posicionamento.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Treino de atributos técnico-tácticos


Antes de mais é importante definir inexperiência neste contexto. Quando falar em inexperiência, refiro-me ao reduzido número de jogos realizados num determinado contexto competitivo. E falo em contexto competitivo porque acredito que jogar em Portugal não será a mesma coisa que jogar no Brasil ou em Inglaterra, no entanto, como é óbvio, haverá um grande transfer de experiência de um contexto para o outro. A maior diferença no que diz respeito aos contextos competitivos, que vai ter uma maior implicação no assunto de falta de experiência, prende-se mesmo com a passagem do futebol de formação para o futebol sénior.

Posto isto, vou falar dos atributos cujos ganhos são mais visíveis com o acumular de jogos que propriamente com o treino (embora este seja de extrema importância), falo dos atributos técnico-tácticos. É importante que não se confundam com as missões tácticas dos guarda-redes que têm a ver com o modelo de jogo da equipa. Os atributos técnico-tácticos são todos os tipos de saídas da baliza (cruzamentos e antecipações para evitar situações de 1 x 1 por exemplo).

Ao longo de toda a carreira, todos os guarda-redes cometem erros relativos a estes atributos, no entanto estes erros são denominador comum nos guarda-redes jovens. Por muito talentoso que um guarda-redes seja durante a formação, é muito difícil impor-se ao chegar ao escalão máximo do futebol pois faltam-lhe os milhares de minutos de experiência que o seu concorrente directo tem. Mas o que fazer nestas situações? O guarda-redes precisa claramente de jogar com regularidade para atingir o seu máximo potencial mas também não pode comprometer a equipa com as suas falhas que irão inevitavelmente acontecer por falta de experiência. É este o dilema que muitos clubes enfrentam, sendo a solução rodar os guarda-redes em equipas de escalões inferiores cujos actuais guarda-redes não têm uma qualidade técnica suficiente para superar os jovens guardiões. Quanto ao treino em si, haverá um maior aproveitamento do guarda-redes nas situações de exercícios integrados com o resto do plantel para aumentar a especificidade do jogo embora se devam também usar os exercícios analíticos para corrigir pormenores relacionados com a técnica individual.