quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Feedback

Esta posição específica, dependendo das qualidades mentais do jogador, é muito susceptível a crises de confiança e está sobre grande pressão durante os jogos. Um simples erro inofensivo pode significar numa perda de confiança que irá afectar directamente a performance posterior do guarda-redes no jogo, e essa perda de confiança é muitas vezes amplificada pelos treinadores, com críticas destrutivas. Muitos dos erros que os guarda-redes cometem são justificáveis, não só pela falta de treino específico mas também pelo próprio contexto do jogo mas são poucos os treinadores que compreendem essa posição e têm muitas dificuldades em conter o seu descontentamento. Este problema aumenta quando as críticas do treinador se alastram aos jogadores criando uma reacção em cadeia que irá destruir a confiança do guarda-redes. Se a isto tudo, juntarmos a reacção do público e dos adversários, podemos ver o ‘inferno’ que se torna defender uma baliza depois disto tudo.
É preciso que o treinador tenha consciência que nenhum treino no mundo é melhor que a própria experiência competitiva e os erros são das melhores formas de o guarda-redes aprender e evoluir. Se falarmos da formação, os erros dos guarda-redes devem ser vistos como excelentes oportunidades de o fazer crescer tanto técnica como mentalmente e para isso é preciso paciência. Infelizmente, esta paciência pode tornar-se num paradoxo numa realidade onde os resultados são a única coisa que interessa, seja em que idades for...
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Métodos de Treino

Método Analítico (por capacidades)
Método Global (em competição)
Método Analítico
• aprendizagem isolada do gesto técnico em condições facilitadas;
• focalização da atenção na execução biomecanicamente correcta;
• aumento progressivo das condições de execução do gesto.
Vantagens:
• mais rápida aquisição do gesto correcto;
• mais fácil a organização da sessão de treino e dos praticantes no treino;
• mais fácil o controlo de aprendizagem.
Desvantagens:
• domínio rígido do gesto
• melhorias separadas do contexto, difícil transfer para o jogo;
• conhecimentos reduzidos acerca do jogo;
• monotonia.
Método Global
• aprendizagem dos elementos num ambiente táctico
• dá preferência à compreensão táctica do jogo;
• os gestos técnicos a aprender surgem das situações tácticas que solicitam a sua utilização.
Vantagens:
• especificidade;
• formação do conhecimento sobre o jogo que permite atingir o êxito mais depressa (eficiência);
• desenvolvimento do pensamento táctico
• condições mais diversificadas e motivadoras do treino.
Desvantagens:
• dificulta o controlo de aprendizagem;
• aquisição do gesto correcto mais lenta;
• complexidade na determinação das cargas.
Exercício como meio principal de treino
Componentes do exercício que permitem variar a sua complexidade
Tarefas fechadas
- Corpo (estático ou dinâmico)
- Bola (controlada ou a controlar)
• Velocidade;
• Precisão;
• Distância;
• Trajectória;
• Sequência de movimentos.
Tarefas abertas
• nº de estímulos (colegas, adversários, bolas);
• dimensão espacial;
• tempo disponível;
• nível de oposição
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Formas de velocidade no treino de guarda-redes

• Trajectórias da bola
• Acções dos colegas, adversários, árbitros
O tempo de reacção está intimamente ligado com o factor da "experiência" e a capacidade de antecipação do praticante, ou seja, um guarda-redes com maior experiência consegue antecipar mais facilmente trajectórias de bola, deslocamentos dos adversários e colegas de equipa.
Velocidade de execução: Deslocamentos, reposições de bola, quedas, chamada para saltos….
A velocidade de execução deve ser "controlada". Por outras palavras, não se trata de executar o movimento muito depressa, mas correctamente e o mais rápido possível.
Capacidade de aceleração: Saídas da baliza…
Velocidade resistente: Capacidade de manter um nível elevado de velocidade de execução de acções decisivas, consoante cada situação que o jogo implica.
ALGUNS MEIOS DE TREINO DA VELOCIDADE
Gerais
• Estafetas
• Jogos que requerem alto nível de atenção e velocidade elevada de reacção e deslocamento
• Exercícios com alternância de ritmo
• Exercícios com bolas medicinais (peso<>
• Exercícios técnico-tácticos com utilização de bolas mais leves / mais pequenas
• Exercícios com aparecimento repentino da bola (utilização de biombos)
• Exercícios com trajectória casual da bola
• Exercícios com limitação do espaço de acção
• Exercícios técnico-tácticos com velocidade elevada de execução e deslocamento
• Exercícios com utilização alternada de bolas pesadas (peso <>
Exercícios e/ou formas jogadas que simulem o contexto competitivo.
PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS DO TREINO DE VELOCIDADE
• bom domínio da técnica dos exercícios de treino;
• principal método de treino utilizado é o método de repetições;
• intensidade máxima ou sub-máxima;
• pausas activas;
• realização no início da unidade de treino (sem fadiga e após aquecimento);
• alternância de exercícios executados a velocidade "controlada" e velocidade máxima;
• utilização de exercícios que pressionem temporalmente o praticante na percepção e análise da situação bem como na tomada de decisão sobre as acções a empreender;
• ligação íntima com o processo de aperfeiçoamento técnico-táctico;
• utilização de exercícios/actividades - estimuladoras da motivação do praticante .
Componente cognitiva – processo de percepção e análise da informação; Tomada de decisão.
As insuficiências técnicas não podem condicionar a tomada de decisão.
Componente motora – realização da acção motora.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Recuperação

Como todos os aspectos técnicos do guarda-redes, a recuperação tem de ser trabalhada nos treinos mas não só em termos técnicos mas também em termos de atitude. O guarda-redes tem de apresentar uma postura assertiva nestes momentos e deve estar sempre mentalmente preparado para defender mais que uma bola quando não conseguir segurá-la à primeira. Um erro cometido por muitos guarda-redes, principalmente a nível amador e nas camadas jovens, é que ao defender uma bola, ficam ‘agarrados’ a essa defesa, ou seja, desligam-se do jogo porque pensam que a baliza está fora de perigo ou até mesmo porque ficam deslumbrados com a defesa que acabaram de fazer. Por tudo isto, é muito importante incutir uma mentalidade combativa aos guarda-redes desde muito cedo, a ideia de que a baliza só está fora de perigo quando a bola estiver nas suas mãos.
Em termos técnicos, existem várias formas de um guarda-redes se levantar rapidamente depois de uma defesa. Na nossa opinião, o guarda-redes tem de ter em mente dois aspectos fundamentais. Primeiro, virar-se para a bola o mais depressa possível, todo o movimento deve ser feito com o objectivo de colocar o corpo direccionado para a bola o mais depressa possível. O segundo aspecto prende-se com as mãos, estas devem estar sempre disponíveis para defender uma segunda bola e como tal, o guarda-redes não deve usar as mãos para se levantarem pois se o fizerem, estas ficam momentaneamente indisponíveis para parar a bola caso esta se dirija na sua direcção.
Esta técnica requer muita agilidade e força ao nível do tronco e membros inferiores sendo que é um aspecto que deve ser tido em conta no planeamento do microciclo tipo.
É difícil fazer com que um guarda-redes se levante desta forma pelo que se deve exigir que este se levante dessa forma em todas as situações para que assim o movimento se torne natural e desta forma, estamos também a trabalhar a força específica deste movimento sem ter de recorrer a trabalho de força analítico.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Aquecimento para o jogo

No entanto a especificidade do jogo no que diz respeito às acções dos guarda-redes vai muito mais além daquelas que são denominadas as acções técnicas básicas. Apesar de isto não ter de ser necessariamente a primeira coisa a fazer num aquecimento, vejamos o caso da defesa de remates. A primeira pergunta que se deve fazer é: de onde são feitos os remates? Esta resposta pode inclusive ser feita ao próprio guarda-redes com quem se está a trabalhar ou então basta ver os resumos de todos os jogos do campeonato até então para se poder ter uma estimativa (isto é mais complicado no caso dos campeonatos distritais ou da formação, sendo que aí se terá de guiar pela experiência embora os dados não devam variar de forma muito drástica). Normalmente, os remates que são feitos mais próximos do guarda-redes são feitos entre o corredor central e o corredor lateral (remates cruzados) e os remates do corredor central surgem normalmente de fora da área, desta forma, parece não ter lógica dar tanta importância aos remates centrais como os laterais a curta distância. Estes remates dizem respeito àqueles que são feitos após condução de bola / drible pois os remates de primeira que surgem após um passe de um companheiro já tenderão mais logicamente para o corredor central numa zona mais próxima da baliza. Mas o facto de ter feito esta distinção deve-se ao facto de a acção do guarda-redes ser diferente em ambos. No remate após condução de bola, o guarda-redes encontra-se constantemente enquadrado com a bola, nos outros, este tem de se reposicionar rapidamente de forma a enquadra-se com a bola e a fechar o maior ângulo possível para a baliza. Assim sendo, deverá tentar-se reproduzir este contexto da forma mais próxima do jogo possível, sendo um ponto importante o facto de não dizer ao guarda-redes para onde irá a bola, embora deva haver um equilíbrio entre as quedas laterais por exemplo, será o treinador de guarda-redes a gerir esse mesmo equilíbrio deixando sempre o guarda-redes na expectativa. Não quero com isto dizer que não se possa fazer um exercício ‘padronizado’ onde o guarda-redes defende bolas em queda sabendo de antemão para que lado esta vai (até é importante quando o guarda-redes se encontra num piso diferente daquele a que está habituado), só não acho que estes exercícios devam assumir um papel preponderante no aquecimento.
Outro ponto importante, que poderá ter a ver com os cruzamentos e as reposições é o modelo de jogo da equipa adversária e da própria equipa. Quanto aos cruzamentos, há equipas que optam mais pelo jogo central e nesses jogos poderá não se dar tanta importância aos cruzamentos e mais aos remates e às saídas da baliza, depois há equipas que cruzam mais do ¾ de campo, outras que cruzem mais da linha de fundo e tudo isso deverá ser tido em conta. Também o modelo de jogo da nossa própria equipa pode influenciar a zona da nossa defesa onde os adversários têm mais probabilidades de poder cruzar para a área e tudo isso deverá ser tido em conta. Quanto às reposições, vão depender obviamente do modelo de jogo da equipa, mais concretamente da sua primeira fase de construção e das transições ofensivas, pelo que os exercícios de aquecimento devem ser construídos de forma a serem direccionados para a forma de jogar da equipa.
Por fim, vou falar da especificidade do esforço realizado pelo guarda-redes. Embora pareça estranho para muitos, ainda existem treinadores de guarda-redes que insistem naquelas sequências de 8 remates seguidos para um lado ou para ambos os lados alternadamente, deixando os guarda-redes de rastos. Só em casos absolutamente excepcionais é que o guarda-redes defende mais de 3 remates seguidos e não tendo eu visto nenhum estudo acerca do assunto, arrisco-me a avançar com um dado estatístico inferior a 1% desses casos de entre as acções do guarda-redes. Desta forma, ao realizar exercícios que consistem em defesas de vários remates sem repouso, está-se a solicitar uma fonte energética que não aquela utilizada pelo guarda-redes durante o jogo, ou seja, não se está a trabalhar em conformidade para com especificidade com o jogo.
Os exemplos acima expostos são apenas isso, exemplos. Não pretendo que quem está a ler isto veja o texto como uma receita, mas sim que faça uma reflexão sobre as ideias expostas e que tentar levar os exercícios (não só de aquecimento mas também de todo o microciclo) para aquilo que se passa no jogo.
Apesar de ter falado apenas dos remates, cruzamentos e reposições, é preciso dizer que há muitas mais acções técnico-tácticas que devem ser feitas nos aquecimentos como por exemplo os atrasos ao guarda-redes, algo que também deverá estar em conformidade com o modelo de jogo da própria equipa e da equipa adversária.