sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Recuperação



Muitas das acções dos guarda-redes são isoladas, são poucas as vezes que estes têm de intervir sobre a bola mais que uma vez num curto espaço de tempo mas quando chega esse momento, o guarda-redes tem de responder da melhor forma possível e isso requer uma rápida recuperação para a posição mais favorável para fazer a segunda defesa.

Como todos os aspectos técnicos do guarda-redes, a recuperação tem de ser trabalhada nos treinos mas não só em termos técnicos mas também em termos de atitude. O guarda-redes tem de apresentar uma postura assertiva nestes momentos e deve estar sempre mentalmente preparado para defender mais que uma bola quando não conseguir segurá-la à primeira. Um erro cometido por muitos guarda-redes, principalmente a nível amador e nas camadas jovens, é que ao defender uma bola, ficam ‘agarrados’ a essa defesa, ou seja, desligam-se do jogo porque pensam que a baliza está fora de perigo ou até mesmo porque ficam deslumbrados com a defesa que acabaram de fazer. Por tudo isto, é muito importante incutir uma mentalidade combativa aos guarda-redes desde muito cedo, a ideia de que a baliza só está fora de perigo quando a bola estiver nas suas mãos.

Em termos técnicos, existem várias formas de um guarda-redes se levantar rapidamente depois de uma defesa. Na nossa opinião, o guarda-redes tem de ter em mente dois aspectos fundamentais. Primeiro, virar-se para a bola o mais depressa possível, todo o movimento deve ser feito com o objectivo de colocar o corpo direccionado para a bola o mais depressa possível. O segundo aspecto prende-se com as mãos, estas devem estar sempre disponíveis para defender uma segunda bola e como tal, o guarda-redes não deve usar as mãos para se levantarem pois se o fizerem, estas ficam momentaneamente indisponíveis para parar a bola caso esta se dirija na sua direcção.

Esta técnica requer muita agilidade e força ao nível do tronco e membros inferiores sendo que é um aspecto que deve ser tido em conta no planeamento do microciclo tipo.
É difícil fazer com que um guarda-redes se levante desta forma pelo que se deve exigir que este se levante dessa forma em todas as situações para que assim o movimento se torne natural e desta forma, estamos também a trabalhar a força específica deste movimento sem ter de recorrer a trabalho de força analítico.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Peiser no jogo Benfica vs Naval

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aquecimento para o jogo



No aquecimento para um jogo, o ponto mais importante e que pode servir como linha orientadora para a criação de vários exercícios é a especificidade do jogo. É preciso saber exactamente o que o guarda-redes faz no jogo. Esta pequena reflexão pode parecer um processo simples, senão vejamos, o guarda-redes é o último jogador antes da baliza e como tal, ele está lá para defender remates, para interceptar cruzamentos e fazer reposições na primeira fase de construção do jogo. Se tivermos isto em conta, então elaborar um plano de aquecimento para o guarda-redes é bastante simples, fazem-se uns remates, uns cruzamentos e coloca-se o guarda-redes suplente no meio campo para receber as bolas bombeadas pelo guarda-redes titular.

No entanto a especificidade do jogo no que diz respeito às acções dos guarda-redes vai muito mais além daquelas que são denominadas as acções técnicas básicas. Apesar de isto não ter de ser necessariamente a primeira coisa a fazer num aquecimento, vejamos o caso da defesa de remates. A primeira pergunta que se deve fazer é: de onde são feitos os remates? Esta resposta pode inclusive ser feita ao próprio guarda-redes com quem se está a trabalhar ou então basta ver os resumos de todos os jogos do campeonato até então para se poder ter uma estimativa (isto é mais complicado no caso dos campeonatos distritais ou da formação, sendo que aí se terá de guiar pela experiência embora os dados não devam variar de forma muito drástica). Normalmente, os remates que são feitos mais próximos do guarda-redes são feitos entre o corredor central e o corredor lateral (remates cruzados) e os remates do corredor central surgem normalmente de fora da área, desta forma, parece não ter lógica dar tanta importância aos remates centrais como os laterais a curta distância. Estes remates dizem respeito àqueles que são feitos após condução de bola / drible pois os remates de primeira que surgem após um passe de um companheiro já tenderão mais logicamente para o corredor central numa zona mais próxima da baliza. Mas o facto de ter feito esta distinção deve-se ao facto de a acção do guarda-redes ser diferente em ambos. No remate após condução de bola, o guarda-redes encontra-se constantemente enquadrado com a bola, nos outros, este tem de se reposicionar rapidamente de forma a enquadra-se com a bola e a fechar o maior ângulo possível para a baliza. Assim sendo, deverá tentar-se reproduzir este contexto da forma mais próxima do jogo possível, sendo um ponto importante o facto de não dizer ao guarda-redes para onde irá a bola, embora deva haver um equilíbrio entre as quedas laterais por exemplo, será o treinador de guarda-redes a gerir esse mesmo equilíbrio deixando sempre o guarda-redes na expectativa. Não quero com isto dizer que não se possa fazer um exercício ‘padronizado’ onde o guarda-redes defende bolas em queda sabendo de antemão para que lado esta vai (até é importante quando o guarda-redes se encontra num piso diferente daquele a que está habituado), só não acho que estes exercícios devam assumir um papel preponderante no aquecimento.

Outro ponto importante, que poderá ter a ver com os cruzamentos e as reposições é o modelo de jogo da equipa adversária e da própria equipa. Quanto aos cruzamentos, há equipas que optam mais pelo jogo central e nesses jogos poderá não se dar tanta importância aos cruzamentos e mais aos remates e às saídas da baliza, depois há equipas que cruzam mais do ¾ de campo, outras que cruzem mais da linha de fundo e tudo isso deverá ser tido em conta. Também o modelo de jogo da nossa própria equipa pode influenciar a zona da nossa defesa onde os adversários têm mais probabilidades de poder cruzar para a área e tudo isso deverá ser tido em conta. Quanto às reposições, vão depender obviamente do modelo de jogo da equipa, mais concretamente da sua primeira fase de construção e das transições ofensivas, pelo que os exercícios de aquecimento devem ser construídos de forma a serem direccionados para a forma de jogar da equipa.

Por fim, vou falar da especificidade do esforço realizado pelo guarda-redes. Embora pareça estranho para muitos, ainda existem treinadores de guarda-redes que insistem naquelas sequências de 8 remates seguidos para um lado ou para ambos os lados alternadamente, deixando os guarda-redes de rastos. Só em casos absolutamente excepcionais é que o guarda-redes defende mais de 3 remates seguidos e não tendo eu visto nenhum estudo acerca do assunto, arrisco-me a avançar com um dado estatístico inferior a 1% desses casos de entre as acções do guarda-redes. Desta forma, ao realizar exercícios que consistem em defesas de vários remates sem repouso, está-se a solicitar uma fonte energética que não aquela utilizada pelo guarda-redes durante o jogo, ou seja, não se está a trabalhar em conformidade para com especificidade com o jogo.

Os exemplos acima expostos são apenas isso, exemplos. Não pretendo que quem está a ler isto veja o texto como uma receita, mas sim que faça uma reflexão sobre as ideias expostas e que tentar levar os exercícios (não só de aquecimento mas também de todo o microciclo) para aquilo que se passa no jogo.

Apesar de ter falado apenas dos remates, cruzamentos e reposições, é preciso dizer que há muitas mais acções técnico-tácticas que devem ser feitas nos aquecimentos como por exemplo os atrasos ao guarda-redes, algo que também deverá estar em conformidade com o modelo de jogo da própria equipa e da equipa adversária.